Prancha elaborado pelo arquiteto Hamilton Foz para o Assentamento Reunidas – Promissão – SP – Brasil (Fonte: Juliana Foz: http://malemolencia-juh.blogspot.com.br/)

Boa noite amig@s do Mutirão! Tudo bem?

Gostaria de convidar a tod@s para o curso de extensão temático: “Educação do Campo, Novas Tecnologias e Cultura Ambiental em Assentamentos de Reforma Agrária”. O curso tem carga horária: 16 (dezesseis) horas/aula, sendo 04 (quatro) horas de aulas teóricas e 12 (doze) horas de aula-prática (haverá excursão didática ao Assentamento Reunidas em Promissão – SP). O número de vagas é mínimo de 05 (cinco) e máximo de 40 (quarenta),  público-alvo: alunos do IBILCE/UNESP e comunidade em geral. Até lá! Prof. Fábio Fernandes Villela.

Objetivo do curso: O estudo dos assentamentos de reforma agrária adquire cada dia maior importância nos dias de hoje, especialmente no estado de São Paulo, pois trata-se de um espaço para onde convergem diversos fatores, tais como: conhecimentos populares, hábitos, usos e costumes que distinguem determinada comunidade. Trata-se de um patrimônio material e imaterial acumulado e que com o passar do tempo, poderá auxiliar no desenvolvimento de novas experiências de assentamentos de reforma agrária. A preservação dessas tradições poderá manter-se ou desaparecer em função das políticas aplicadas. O objetivo deste curso é elaborar estratégias de preservação dessas tradições através da capacitação de promotores da cultura ambiental de assentamentos de reforma agrária. Os objetivos específicos são: 1 – realizar uma análise da situação da cultura ambiental de uma comunidade, o Assentamento Reunidas, em Promissão – SP, 2 – formar promotores culturais, 3 – elaborar estratégias de preservação a cultura ambiental ao nível da comunidade, 4 – gerenciar estratégias de preservação da cultura ambiental através do uso das novas tecnologias aplicadas à educação do campo, especificamente o blog Centro de Estudos e Culturas do Mundo Rural (www.cecmundorural.com.br), do proponente deste curso.

Conteúdo Programático:

1 – Conceitos Fundamentais sobre educação do campo, novas tecnologias e cultura ambiental.

2 – Aspectos Teórico-Metodológicos da cultura ambiental do promotor cultural ao nível comunitário.

3 – Capacitação ambiental para o promotor cultural de assentamentos de reforma agrária.

4 – Estratégias de preservação da cultura ambiental através do uso das novas tecnologias aplicadas à educação do campo.

Câmpus de São José do Rio Preto

INSTITUTO DE BIOCIÊNCIAS, LETRAS E CIÊNCIAS EXATAS – STA

Rua Cristóvão Colombo, 2265, Jardim Nazareth, CEP. 15054-000, São José do Rio Preto/SP

Tel. (0xx17) 3221-2428 / (0xx17) 3221-2318 e-mail: sta@ibilce.unesp.br / www.ibilce.unesp.br

Executores: Prof. Dr. Fábio Fernandes Villela – coordenador e ministrante (16 horas) – IBILCE/UNESP.

Período e local de realização: Aulas teóricas: 03 e 10 de dezembro de 2012 (segundas-feiras) das 17h às 19h no Laboratório de Ensino da Pedagogia. Aula prática: 16 de dezembro de 2012 (domingo) excursão didática ao Assentamento Reunidas em Promissão – SP. Local de inscrição: Seção Técnica de Comunicações do IBILCE/UNESP.

ATENÇÃO PARA O PERÍODO DE INSCRIÇÕES

Período de Inscrição:

De 19 a 23 de novembro de 2012 – inscrições exclusivas para graduandos do Curso de Pedagogia do IBILCE/UNESP.

De 26 a 27 de novembro de 2012 – inscrições abertas para demais alunos do IBILCE/UNESP.

De 28 a 30 de novembro de 2012 – inscrições abertas para a comunidade em geral.

Condições para inscrição: Para os alunos de graduação do IBILCE/UNESP será necessária a apresentação de xerox do histórico escolar no ato da inscrição. Documentos necessários para inscrição: Cópia do RG, ficha de inscrição a ser preenchida na Seção Técnica de Comunicações da UNESP/IBILCE, recolhimento da taxa regulamentar da UNESP e documento que comprove atendimento ao item “Condições para inscrição”.

Custo: Será cobrada apenas a taxa regulamentar da UNESP, vigente à época das inscrições, a ser paga na Seção Técnica de Finanças do IBILCE/UNESP. Bolsas: Não há necessidade de bolsas, uma vez que o curso não prevê pagamento de mensalidades. Frequência mínima obrigatória: mínimo 70%. Maiores informações: Telefones (17) 3221-2320 ou 3221-2318.

Seção Técnica Acadêmica do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas do Câmpus de São José do Rio Preto, 18 de outubro de 2012.

Imagem do projeto Biota Cerrado – USP – Assentamento Reunidas – Promissão – SP

APOIO: Instituto Cultural Lyndolpho Silva

http://www.iclyndolphosilva.net

Tópicos da Área de Ciências Humanas e suas Tecnologias 2

On outubro 11, 2012, in Miscelan, RP-CE, by Fábio Fernandes Villela

Bom Dia Car@s Alun@s! Tudo bem?

Esta postagem procura desvendar o que o trabalho está sendo. O professor Ricardo Antunes, titular de Sociologia no IFCH da Unicamp, autor de livros que abordam a temática tais como Adeus ao trabalho? (São Paulo, Cortez, 1995), Os sentidos do trabalho (São Paulo, Boitempo, 1999) e O caracol e sua concha (São Paulo, Boitempo, 2005) e ), entre outros,  afirma que:

[...] Sabemos que o trabalho, concebido como atividade vital, nasceu sob o signo da contradição. Desde o primeiro momento, foi capaz de plasmar a própria sociabilidade humana, por meio da criação de bens materiais e simbólicos socialmente vitais e necessários. Mas também trouxe dentro dele, desde seus primeiros passos, a marca do sofrimento, da servidão e da sujeição. Ao mesmo tempo em que expressa o momento da potência e da criação, o trabalho também se originou nos meandros do “tripalium”, instrumento de punição e tortura. Se era, para muitos, dotado de uma ética positiva (ver as análises de Weber), própria do mundo dos negócios (cujo significado etimológico é negar o ócio), para outros, ao contrário, tornou-se um não valor, estampado na magistral síntese de Marx: “Se pudessem, os trabalhadores fugiriam do trabalho como se foge de uma peste! [...].

[...] Mas o século 20 moldou-se pela estruturação da chamada sociedade do trabalho, em que desde muito cedo fomos educados para o princípio fundante do trabalho. Esse cenário começou a ruir, no entanto, a partir dos últimos 20 anos. Tragicamente, quanto mais a população vem aumentando, menor é a capacidade de incorporar os jovens ao mercado de trabalho. Esta é a situação que vivenciamos hoje: não encontramos empregos para aqueles que dele necessitam para sobreviver e os que ainda estão empregados em geral trabalham muito e não ficam um dia sem pensar no risco do desemprego. Esse medo ocorre não só na base dos assalariados, pois essa tendência cada vez mais avança na ponta da pirâmide social, chegando até os gestores.  [...] (Revista Cult, 139, 2010).

No Roda Viva de 03/09/2012,  o Prof. Ricardo Antunes discutiu com os convidados o mundo do trabalho. O professor, um dos mais destacados sociólogos da atualidade, apresentou  o tema do “trabalho” e suas novas formas de relação dentro do mundo capitalista contemporâneo. O programa pode ser acessado no seguinte link:

http://tvcultura.cmais.com.br/rodaviva/roda-viva-discute-o-mundo-do-trabalho-com-ricardo-antunes

A pergunta para o comentário é a seguinte: o que o trabalho está sendo nesse começo de século XXI? Bom trabalho, Prof. Fábio  Fernandes Villela.

Bom Dia Caros Alunos! Tudo bem?

Gostaria de partilhar com todos que nosso Projeto de Extensão, desenvolvido no Distrito de Talhado em São José do Rio Preto – SP – Brasil, foi apresentado no Programa “Nosso Campo” da TV TEM.  O objetivo central do projeto, em 2011, foi desenvolver tópicos da área de Ciências Humanas e suas Tecnologias, através do Blog de Aula – Mutirão de Sociologia, para alunos que manifestarem interesse, regularmente matriculados, na escola pública Prof. Dr. João Deoclésio da Silva Ramos, situada no distrito de Talhado, em São José do Rio Preto (SP), de forma experimental, e depois estender a experiência para outras escolas estaduais que tiverem interesse. Vc podem assistir a reportagem através do link abaixo.

Saudações, Prof. Fábio Fernandes Villela.

Acesse a reportagem sobre o Blog de Aula – Mutirão de Sociologia no Programa “Nosso Campo” da TV TEM:

http://www.youtube.com/watch?v=a3eYOhobHD8

Blog de Aula – Mutirão de Sociologia no Programa “Nosso Campo” da TV TEM

On dezembro 6, 2011, in RP-CE, by Fábio Fernandes Villela

Bom Dia Caros Alunos! Tudo bem?

Gostaria de partilhar com todos que nosso Projeto de Extensão, desenvolvido no Distrito de Talhado em São José do Rio Preto – SP – Brasil, foi apresentado no Programa “Nosso Campo” da TV TEM.  O objetivo central do projeto, em 2011, foi desenvolver tópicos da área de Ciências Humanas e suas Tecnologias, através do Blog de Aula – Mutirão de Sociologia, para alunos que manifestarem interesse, regularmente matriculados, na escola pública Prof. Dr. João Deoclésio da Silva Ramos, situada no distrito de Talhado, em São José do Rio Preto (SP), de forma experimental, e depois estender a experiência para outras escolas estaduais que tiverem interesse. Vc podem assistir a reportagem através do link abaixo.

Saudações, Prof. Fábio Fernandes Villela.

Blog de Aula – Mutirão de Sociologia no Programa “Nosso Campo” da TV TEM:

http://www.temmais.com/nossocampo/interna_detalhe.aspx?editoria_id=6371&menu_id=33

O Menino da Porteira: um Cinema Popular Brasileiro

On outubro 11, 2011, in RP-CE, by Fábio Fernandes Villela

 

Bom Dia Caros Alunos! Tudo bem? 

O filme “O Menino da Porteira” ganhou um remake em 2009.  A primeira filmagem do clássico da música sertaneja “O Menino da Porteira” foi feita em 1976. “O Menino da Porteira” é um “Cururu” da autoria de Teddy Vieira e Luizinho (da dupla Luizinho & Limeira). Foi gravada originalmente em 1955 por Luizinho & Limeira. Dois filmes foram feitos com o título “O Menino da Porteira”. O primeiro estrelado por Sérgio Reis em 1976 e o segundo pelo cantor Daniel em 2009. O cinesta Jeremias Moreira no texto abaixo explica porque refilmou “O Menino da Porteira”.  Vejamos a sua argumentação. Saudações, Prof. Fábio Fernandes Villela.

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Letra da Música “O Menino Da Porteira”  (Teddy Vieira e Luizinho)

 

Toda vez que eu viajava pela Estrada de Ouro Fino

de longe eu avistava a figura de um menino

que corria abrir a porteira e depois vinha me pedindo:

- Toque o berrante seu moço que é pra eu ficar ouvindo.

Quando a boiada passava e a poeira ia baixando,

eu jogava uma moeda e ele saía pulando:

- Obrigado boiadeiro, que Deus vá lhe acompanhando

pra aquele sertão à fora meu berrante ia tocando.

Nos caminhos desta vida muitos espinhos eu encontrei,

mas nenhum calou mais fundo do que isso que eu passei

Na minha viagem de volta qualquer coisa eu cismei

Vendo a porteira fechada o menino não avistei.

Apeei do meu cavalo e no ranchinho a beira chão

Ví uma mulher chorando, quis saber qual a razão

- Boiadeiro veio tarde, veja a cruz no estradão!

Quem matou o meu filhinho foi um boi sem coração!

Lá pras bandas de Ouro Fino levando gado selvagem

quando passo na porteira até vejo a sua imagem

O seu rangido tão triste mais parece uma mensagem

Daquele rosto trigueiro desejando-me boa viagem.

A cruzinha no estradão do pensamento não sai

Eu já fiz um juramento que não esqueço jamais

Nem que o meu gado estoure, e eu precise ir atrás

Neste pedaço de chão berrante eu não toco mais.

***

O Menino da Porteira com Sergio Reis: http://www.youtube.com/watch?v=jaYLzTs4mbY

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Sinopse do Filme “O Menino da Porteira” (2009)

Interior do sudeste do Brasil, anos 50. Diogo é um peão de boiadeiro calado, introspectivo, mas de enorme coração. Quando solta a voz na cantoria, todos se encantam. Ao tocar uma grande boiada para a Fazenda Ouro Fino, de propriedade do truculento Major Batista, Diogo passa pelo Sítio Remanso, de Otacílio Mendes, onde conhece e trava amizade com Rodrigo, o menino da porteira. Porém, Otacílio é inimigo político do Major, e Diogo logo percebe a forte tensão que existe pela região. Chegando ao vilarejo, Diogo é procurado por um grupo de pequenos sitiantes que lhe revelam a maneira predatória e violenta como o Major domina o lugar, forçando os criadores a vender gado e terras pelo preço que impõe. Contra os que se recusam, ele costuma usar a violência de seus capangas. Diogo aceita levar o rebanho dos pequenos criadores para ser vendido em melhores condições, em outra região. O Major reage de maneira brutal. A situação entre Diogo e o Major fica cada vez mais insustentável. A cidade está dividida, o clima é de guerra e as consequências serão tragicamente inevitáveis. E como se tudo isso não bastasse, Diogo ainda se encanta com Juliana, a bela enteada do Major. O amor que surge entre eles provoca ainda mais a ira do tirano local.

***

Porque refilmar O Menino da Porteira (Jeremias Moreira)

O folder do nosso filme “O Menino da Porteira” inicia-se com o texto “Por um cinema popular brasileiro” porque acreditamos que cinema é, sobretudo uma arte que se faz para o grande publico.

Por isso nos propusemos a praticar um cinema popular. Popular pela narrativa simples e direta, popular no sentido de atrair, também a população periférica e de baixa renda, popular ao escolher temas que motivem o espectador eventual a entrar no cinema.

O cinema brasileiro atravessa uma fase em que se tornam necessários, também, filmes voltados ao mercado e que reencontre o sucesso popular que viveu em muitos momentos. Como por exemplo, com as produções da Cinédia; da Atlântida, com Oscarito e Grande Otelo; da Vera Cruz, com os fenômenos “Mazzaropi” e “O Cangaceiro”. E durante os anos 70 com “Mazzaropi”, “Os Trapalhões” e os “Sertanejos” e que foi retomada em 2005 com “Dois Filhos de Francisco”.

Paulo Emílio Salles Gomes, era um defensor da idéia de cinema popular. E disse, em entrevista à revista Cinegrafia, o seguinte: “Se o pessoal que preparou a Vera Cruz tivesse se preocupado mais cedo em encontrar um ator que fosse a emanação do teatro ligeiro, do mambembe brasileiro, como o Mazzaropi e se tivesse descoberto o veio do cangaço, também antes, e caminhasse mais nestas duas direções, eu penso que a Vera Cruz poderia ter enfrentado melhor as pressões do comercio cinematográfico”.

É nesta tradição de cinema popular que se insere nosso projeto. E meus filmes anteriores parecem confirmar que este é um bom caminho (os três atraíram, só nas salas de cinema, cerca de 7 milhões de espectadores, sendo que apenas o O Menino…, em torno de 4 milhões).

Cinema popular não significa cinema mal feito e apelativo. Significa para mim, antes de tudo, cinema que tenha vínculos com a vida, e por opção minha, com a vida simples do homem que tem ligação afetiva e de sobrevivência com a terra. O homem do interior, o homem do campo.

A historia d`O Menino da Porteira, que fala a música, é um pretexto para falarmos de gente, construir personagens que existem e que estão no imaginário do povo e com os quais ele se identifica. Gente que trabalha, se diverte, ama, odeia, sofre, luta, ganha, perde, e que tem como pano de fundo o vilarejo e o campo. Um microcosmo da política e da economia do país nos anos 50. É desse homem simples, com opiniões fortes, mas quase singelas, que desejo falar.

O paulista mameluco, resultante da miscigenação do português, do índio e do africano, se constituiu como tipo, vivenciou as transformações sociais e econômicas desse interior paulista e deixou raízes – o estilo de vida caipira.

A cultura caipira secular, por mais que se transforme com a modernidade, continua enraizada no modo de ser e agir do homem do interior. A partir dos anos 50, a cultura caipira se disseminou e influenciou o comportamento de um vasto segmento de brasileiros e a música talvez seja a sua expressão mais abrangente.

A evolução sócio-econômica do caipira, enfocada por Antônio Cândido em “Parceiros do Rio Bonito” e por Darcy Ribeiro em “O Povo Brasileiro”, talvez seja o assunto principal do nosso filme, embora citado de modo simples e direto. Coube, porém, tratá-lo de modo verossimilhante como estrutura dramática do roteiro.

Para construção desses personagens conto com a minha história de vida (sou caipira de Taquaritinga), mas também com textos de Waldomiro Silveira e Cornélio Pires que criaram histórias, tipos e personagens extraídos deste contexto caipira.

Portanto, a narrativa adotada no filme será simples, direta e pela verossimilhança. Vejo a verossimilhança como uma opção de liberdade criadora que se situa entre o estereótipo, que queremos fugir, e o realismo, que nem sempre é suficiente para representar a própria realidade.  

Em relação a um conceito fotográfico para o filme, penso numa luz que seja “definidora” de um ambiente rude, empoeirado e causticante e onde pulsam vivências de gente com fortes ligações com a terra.

Rodrigo Naves, no artigo “O Sol no Meio do Caminho” refere-se à luz de Almeida Junior, como “…luz do sol que age sem piedade…” e mais à frente “O sol é o grande personagem deste ‘Caipira picando fumo’..”..

O caipira é tema recorrente na pintura de Almeida Junior e, sem dúvida, sua obra será fonte de referência para composição estética de personagens e ambientações mas, principalmente para conceituar esse tipo de luz “definidora”, ou “uma luz como instrumento do olhar”,como diz Naves, que dê ao ambiente rural caráter e personalidade. 

Nosso filme será rodado no interior do estado de São Paulo, nas regiões de Brotas e Paulínia. Vamos aproveitar cerca de 800 moradores destas cidades como figurantes e pequenos papeis. Diversas fazendas e sítios servirão de locações e cenários. Vamos utilizar serviços de hotelaria, alimentação e transporte. Serão utilizados cerca de 100 cavalos e burros e 4.000 cabeças de gado e o respectivo pessoal para manuseio.

Esses números dão idéia do impacto econômico e geração de emprego temporário que o filme produzirá na região.

A cidade de Paulínia criou o Paulínia Magia do Cinema, um Pólo de fomento ao cinema brasileiro, do qual nosso projeto é um dos contemplados.

Assim como os tradicionais apoiadores de nosso cinema, onde o BNDES se insere, uma cidade do interior, como Paulínia, criar um Pólo Cinematográfico, com leis municipais de apoio e fomento à produção, é como um oásis que ganha importância para nosso cinema e que merece se consolidar.

Assim como a combinação O Menino da Porteira/Sérgio Reis foi fundamental para o sucesso do primeiro filme, a associação que fazemos agora com o grande ídolo da música sertaneja Daniel, também é uma estratégia de marketing.

Daniel nasceu em Brotas, interior de São Paulo e tem fortes ligações com a música sertaneja de raiz. Nasceu e cresceu impregnado de cultura caipira.

Além disso, em teste pelo método de Viola Spolin, Daniel revelou-se um ator intuitivo de muita sensibilidade. Acredito que após a preparação do elenco estará apto a dar verdade ao personagem do boiadeiro Diogo e, ao encabeçar o elenco do filme, será um reforço a mais na proposta de filme popular.

Gostaria de falar da nossa capacidade de realização. A minha, como diretor: Fui assistente de direção de Luis Sergio Person e Roberto Santos, fui diretor de produção e montador de diversos filmes de publicidade e de longa metragem, dirigi 3 filmes de longa metragem e uma série na TV Cultura de SP. Atuo no mercado de cinema publicitário desde 1980, segmento em o Brasil está entre os quatro melhores do mundo em qualidade, e onde realizei cerca de 1500 filmes. Já fui premiado com o Leão de Ouro no festival de Cannes e Gran-Prix nos de Gramado e Mar Del Prata.  Tenho como ponto forte no meu trabalho a direção de atores e contar histórias. Entre 1970 e 73 fui aluno de interpretação de Eugênio Kusnet, sempre com foco na direção de atores. Ao longo dos anos aprimorei um processo de interpretação com “não-atores” numa mistura dos métodos de Stanislavisk e de Viola Spolin, que me valeu, durante muitos anos, ser considerado o melhor diretor de filmes com crianças.

Moracy do Val, o produtor executivo e co-produtor do projeto é jornalista e produtor cultural. Participou das fundações dos teatros Oficina, Gazeta e Procópio Ferreira. Co-produziu as peças “A Ratoeira”, “Godspell” e “Hair” e os shows “Noite de Bossa” no Teatro de Arena. Co-produziu, também seis filmes de longa-metragem e foi o responsável por um dos maiores fenômenos do show-business brasileiro, o grupo Secos & Molhados.

A JerêFilmes, produtora responsável, atua no mercado publicitário desde 1992 e já realizou filmes para clientes como, Nestlé, Banco do Brasil, Fleyshman-Royal, Sadia, UniLever, Epson e Coca-Cola, entre outros. Alguns, no contexto de campanhas com custos significativos. Portanto, é uma produtora que está habituada a trabalhos de grande porte e com altas cifras e que agora, com a realização deste filme, pretende, também atuar no mercado de conteúdo.

Em síntese, a primeira versão do filme “O Menino da Porteira” foi lançada nos cinemas em 1977 e constituiu-se num dos maiores sucessos de nosso cinema. O numero de espectadores aproximou-se de quatro milhões.

Em sua primeira exibição na TV Record, no domingo de 11 de outubro de 1981, o filme atingiu pico de audiência de 36 pontos, chegando a superar o Fantástico, segundo o IBOPE.

A música de Luizinho e Teddy Vieira, em que se baseou, é a mais gravada e a mais popular do repertório caipira. Sua letra serviu de argumento para o filme e fala de costumes e sentimentos vivenciados por antepassados de muitas famílias brasileiras, a maioria vivendo hoje nas grandes cidades e nas capitais. Um grande sentimento atávico une essas famílias a suas origens e provoca nostálgicas reminiscências.

Em 2008 o lançamento da versão original do filme completará 31 anos, havendo um enorme contingente de potenciais espectadores nascidos após o evento. Sem contar que pode trazer de volta aos cinemas parte dos milhões que assistiram àquela versão tanto no cinema, como na TV e em “home-vídeo”.

A música “O Menino da Porteira” continua a de maior sucesso dentro do gênero, apreciada e cantada pelas novas gerações e conservando o mesmo apelo popular da época do primeiro filme. O site Youtube registra mais de 500 vídeos de jovens cantando “O Menino da Porteira”.

Nestes trinta anos, também, o cinema como um todo e em especial o do Brasil passou por aprimoramento técnico-artístico sem precedente. O filme “O Menino da Porteira”, que é pioneiro e considerado um clássico no gênero, merece uma versão compatível com a consistência estética que o atual estágio de nossos realizadores e técnicos é capaz de dar.

Jeremias Moreira

19/03/2009

Texto retirado de: http://www2.uol.com.br/omeninodaporteira/

Tópicos da Área de Ciências Humanas e suas Tecnologias 5

On outubro 11, 2011, in RP-CE, by Fábio Fernandes Villela

Ciclo Arturiano

As referências mais antigas ao rei Artur situam-se cerca do ano 600 d. C., em dois poemas galeses. Mais tarde, na Historia Brittonum (História da Bretanha) do monge escocês Nennius do século IX, é apelidado de senhor dos exércitos, que numa só das batalhas matou novecentos e sessenta homens.

É conhecida a menção feita nas Mirabilia (Maravilhas) à pedra que tem a pegada que o seu cão Cabal deixou na caçada ao porco Twrch Twryth e o sepulcro de Amr, filho do rei. O rei Artur aparece como um juiz que milagrosamente se coloca do lado do Bem nas Vidas de Santos dos séculos IX e XII. Também se refere uma batalha, a de Camlann, na qual caíram Artur e Medrawd nos Annales Cambriae (Anais da Cambria) do século X.

É relatado num poema galês, no livro de Chrétien de Troyes e na Vita Gildae o reencontro de Artur com Gwenhwyfar (nome galês de Guinevere), sua mulher, que tinha sido raptada pelo rei do País do verão, Melwas. Os romances de Chrétien de Troyes e de Marie de France, dos séculos XII e XIII, lançaram as bases do mito da altura da Távola Redonda.

Foi quando Edmond Faral publicou A Lenda Artúrica, estudando a origem de textos latinos medievais que se falou pela primeira vez num Ciclo Arturiano. Neste livro se fala de obras como a Historiae Regum Britaniae (História do Reino da Bretanha) de Geoffroi de Monmouth, datada de 1137 e que relata as lendas das conquistas e da morte de Artur em 542 d. C.

Uma das origens indicadas para este Ciclo é a da fusão de lendas do século VI teriam levado para a Bretanha referentes um chefe guerreiro chamado Artur e de um deus celta chamado Artaius.

Em 1191 os monges da Abadia da Ilha de Glastonbury (que foi por alguns identificada com Avalon) declararam ter descoberto o túmulo de Guinevere e de Artur, causando grande agitação. Em 1278 os ossos foram transportados para uma nova sepultura e perdidos quando esta foi destruída durante a Reforma.

No poema de Chrétien de Troyes aparece como rei de Camelot, acompanhado por pelo sábio feiticeiro Merlim e rodeado de nobres cavaleiros que participam em grandiosas aventuras (como a da procura do Santo Graal). Entre estes cavaleiros, pertencentes à Távola (Mesa) Redonda, estão Lancelot, Gawain e Galahad.

Artur terá ganho o direito de ser rei depois de ter arrancado uma espada (Excalibur) que estava cravada numa rocha. Esta espada só podia ser retirada pelo herdeiro do rei Uther Pendragon, que seria o “verdadeiro rei”, e cortava qualquer material. Noutros contos diz-se que a Excalibur teria sido dada ao rei pela Dama do Lago.

Foi na batalha de Camlann contra o exército de Mordred que foi morto. Algumas versões dizem que apenas ficou ferido e foi depois transportado para a ilha de Avalon. Mordred é apresentado também como filho do incesto de Artur com a sua irmã e como Cavaleiro da Távola Redonda, tendo conseguido matar o pai porque este não usava a cota de malha que lhe dava a invencibilidade. A Távola Redonda teria sido o dote da rainha Guinevere, e o facto de ser circular evitava lutas pela precedência.

A história de Tristão e Isolda é também associada ao Ciclo Arturiano, apesar do rei Artur não desempenhar um papel muito importante. A queda de Camelot está diretamente ligada ao romance da rainha Guinevere com Lancelot.

A verdade é que não se sabe se as lendas referentes ao rei Artur e aos Cavaleiros da Távola Redonda foram inventadas e escritas por romancistas da Idade Média ou se têm origem em mitos populares transmitidos por via oral. O mais provável é que este Ciclo tenha surgido da mesma maneira que surgiu quase toda a literatura: juntavam-se vários elementos diferentes para criar uma história nova. A história da ida de Artur para Avalon reflete uma inconformidade comum a muitos povos, que não aceitam a desaparição do herói salvador acreditando que um dia voltará.

Artur tem a sua corte ou na Cornualha ou no Sudeste do País de Gales (conforme o mencionado em obras como Culhwch e Olwen), sendo caçador de bruxas, javalis mágicos, monstros, guerreiro que chefia um exército magnífico e heroico, generoso, destemido e protetor das mulheres, aventurando-se através de todos os enigmas para chegar aos mistérios do Além, parecendo-se assim aos Fianna irlandeses (exércitos nómadas e aventureiros, de hábitos severos, liderado por Finn mac Cumhal, do qual também se diz que voltará numa hora de necessidade). Estas características estão também presentes nos seus Cavaleiros, que vivem aventuras nobres, maravilhosas e arriscadas e quando cometem algum erro são repreendidos em público.

No Ciclo Arturiano estão representadas as três funções indo-europeias (o Conhecimento, o Combate e a Riqueza) nas aventuras dos heróis Peredur, Owain e Geraint. O Sonho de Rhonabwy, A Dama da Fonte, Lancelot, o Cavaleiro do Carro e a Lenda de Taliesin são outras lendas arturianas. Na catedral de Módena, em Itália, foi gravada no século XII, na arquivolta do portal virado a norte, uma cena que representa o ataque de um castelo pelo rei Artur e os seus cavaleiros. Este exemplo demonstra a importância que o tema atingiu.

Literatura Galega

A lírica trovadoresca galaico-portuguesa configura-se, provavelmente, como uma das mais originais e ricas do panorama trovadoresco e demarca, no século XIII, o momento álgido da literatura desta região. O mesmo não se pode dizer da narrativa, caracterizada por um desenvolvimento tardio que se deve a dois factores: a permanência do latim como veículo internacional de cultura e a crescente pressão do castelhano no mesmo registo. Em contrapartida, dispõe-se de um grande número de documentos notariais, actas de conselhos, ordenamentos, foros, etc, em língua galega. Esta situação resulta da falta de normalidade que caracterizou o desenvolvimento da língua galega e da própria estrutura política e social de base.

A prosa medieval galaico-portuguesa divide-se em três ciclos: o ciclo bretão, o clássico e o carolíngio. O primeiro estava escrito em galego-português, ao passo que os restantes dois se encontravam já em galego.

O ciclo bretão contempla os principais blocos temáticos da matéria de Bretanha: as aventuras do Rei Artur, o mago Merlin, a rainha Ginebra e os cavaleiros Perceval, Lançarote, Galaaz, Boors; a história de amor entre Tristão e Isolda, fruto de uma beberagem mágica que os conduz a um fim trágico; e a lenda da demanda do Santo Graal. Este último bloco temático narra as aventuras dos cavaleiros do Rei Artur em busca do cálice que Jesus teria usado, supostamente, na última ceia e que continha o segredo da vida eterna. Encontra-se dividido em três partes:

1. O Livro de José de Arimateia: explica como José de Arimateia, um carpinteiro judeu, teria recolhido o sangue de Jesús num cálice (o Santo Graal) e transportado a um misterioso castelo na Grã-Bretanha, onde permaneceria sob custodia. Só um cavaleiro distinguido pela sua virtude se poderia beneficiar do seu poder.

2. Fragmentos do Livro de Merlin: narra as profecias do mago a respeito do virtuoso cavaleiro que se beneficiaria do poder do Graal.

3. A Demanda do Santo Graal: descreve as aventuras dos cavaleiros artúricos na procura do Santo Graal. Apenas Perceval, Galaaz e Boors seriam agraciados com a graça da vida espiritual. Galaaz e Perceval pereceriam e apenas Boors sobreviria para chegar à corte do Rei Artur e relatar-lhe a morte dos seus companheiros.

Estas lendas têm origem na mitologia celta e adquirem um forte impulso a partir do século XII, sendo amplamente acolhidas pelo conjunto da sociedade medieval europeia. A primeira menção, porém, a uma personagem histórica que poderia ter servido de modelo para a elaboração do mítico Artur de Camelot remonta ao século VI e é da autoria de Gildes, o Sábio, um monge bretão autor de De excidio et conquestu Britanniae (Sobre a destruição e a conquista de Britannia). Na sua obra, Giles menciona um general bretão de origem romana chamado Ambrosius Aurelianus que derrotou os invasores Saxões em mais do que uma ocasião. Por volta do ano 800, o historiador Nennius, no capítulo 56 da sua Historia Britonum, identifica o general mencionado por Giles como sendo Arthur, dux bellorum dos bretões.

Fontes:

Ciclo Arturiano. In: Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2011. Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$ciclo-arturiano>.

Literatura Galega. In: Wikipédia. Disponível na www: <URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Literatura_galega>.

Boa Tarde Caros Alunos! Tudo bem?
Gostaria de convidar a todos para o mini curso ”Magistério do Campo” por mim ministrado, dia 30-06-2011, no Ibilce-Unesp-Rio Preto, Auditório C, a partir das 19h:30min. Serão expedidos certificados no total de 4 horas/aula para os participantes. O mini curso irá abordar o projeto desenvolvido pelo nosso grupo Gepedoc (Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação do Campo) no distrito de Talhado – São José do Rio Preto – SP – Brasil. O mini curso abordará a questão da formação de “intelectuais e a organização da cultura”, sob uma perspectiva gramsciana (Gramsci, 2000). Esta problemática foi abordada em diversos trabalhos ao longo de nossa trajetória acadêmica, Villela (2003), Villela (2007), Villela (2008), Villela (2009) e Villela (2010-2012). Reelaborando as questões abordadas nestes trabalhos, tais como as relações entre as Novas Tecnologias, a Inteligência Coletiva e a Educação, desenvolvemos o projeto Blog de Aula – Mutirão de Sociologia. O blog de aula www.mutiraodesociologia.com.br foi criado em 2010, como recurso didático e ferramenta no ensino de sociologia para formação dos alunos do curso de pedagogia da Unesp de São José do Rio Preto – SP, e estendido, posteriormente, para escolas estaduais que manifestaram interesse em desenvolver tópicos da área de Ciências Humanas e suas Tecnologias.
O mini curso é aberto a tod@s, não há necessidade de fazer inscrição, gatuito. Um grande abraço, Prof. Fábio Fernandes Villela.

Boa Noite Caros Alunos! Tudo bem?

Gostaria de convidar a todos para o Mini Curso Criando Blogs e Sites Educacionais com a Profª. Renata Sbrogio, dia 06 Agosto de 2011, a partir das 10H:00min., no Auditório A do Ibilce – Unesp – Rio Preto – SP – Brasil. Anotem em vossas agendas, não esqueçam durante as férias! Um grande abraço a todos! Prof. Fábio Fernandes Villela.

Profª. Renata Sbrogio

www.profrenatasbrogio.blogspot.com

https://sites.google.com/site/profrenatasbrogio

 

Um filme rodado no distrito de Talhado de São José do Rio Preto – SP – Brasil: João de Barro de Raffaele Rossi (1970)

Lançamento: 1970
País: Brasil
Duração: 90 min
Direção e Roteiro: Raffaele Rossi
Música: Maria Aparecida e Denoy de Oliveira
Elenco: Ivan Carlos, Renata Candu, Zé Do Paiol.
DVD – COR
O filme João de Barro de Raffaele Rossi de 1970 foi rodado no distrito de Talhado de São José do Rio Preto – SP – Brasil. Segundo a sinopse, o filme conta a estória de João de Barro, um rapaz ingênuo, cobiçado pelas meninas de uma pequena cidade do interior – Talhado. Para João só existem as canções sertanejas que canta e seu trabalho na olaria. Porém, João é perseguido pelos rapazes, enciumados com o sucesso com a garota mais bonita da cidade. O filme tem como elenco atores como, Renata Gadú, Ivan Carlos, Zé do Paiol e Shirlei Stech.

Raffaele Rossi, (Arsiero, Itália, 1938 — Embu Guaçu, São Paulo, 2007), foi um cineasta e roteirista ítalo-brasileiro, tido como um dos grandes diretores do gênero pornochanchada. Chegou ao Brasil em 1954. Sua ligação com o cinema começou em 1963 com a venda de equipamentos. Depois de alguns curtas, e com certa vivência em outros filmes em que fez fotografia, edição e produção, por volta de 1971 aventurou-se na direção em O Homem Lobo, que escreveu e interpretou. Embora o erotismo predomine em sua filmografia, arriscou-se por outros gêneros, como o horror.  O colunista José Luís Rey, do Jornal Bom Dia de Rio Preto, repõe a história do filme em sua crônica “O filme esquecido”:

“Nem adianta procurar, o verbete aparece em pouquíssimos dicionários e compêndios sobre o cinema brasileiro. Mesmo assim, acabo topando, num cantinho da memória, com mais um caso de filme rodado em Rio Preto e, ao que parece, condenado ao cemitério das produções nunca ou muito pouco exibidas. Já acontecera antes com o abortado “A Hora dos Ruminantes”, do cineasta José de Anchieta, que chegou a rodar uma série de sequências e depois engavetou o projeto.

 Quando chegou a Rio Preto, em 1978, disposto a colocar suas mãos de Midas no nicho dos filmes de temática sertaneja, o presidente do Grupo Paris Filmes, Alexandre Adamiu, parecia muito animado. A escolha do cenário, além – é claro – da óbvia identificação entre a cidade e o universo caipira, obedecia também a uma conveniente associação de negócios: a Paris Filmes havia se tornado, pouco tempo antes, a proprietária do prestigiado Cine Central e pretendia investir na região.

 Na época, a participação da empresa em uma produção cinematográfica era meio caminho andado para o sucesso: como grande distribuidora e exibidora, a Paris tinha nas mãos a faca e o queijo para alavancar suas próprias produções. A ideia não poderia ser mais simples: filmar uma história baseada na música “João de Barro”, de Teddy Vieira e Muíbo Cury.

 Adamiu convidou o diretor Rafaelle Rossi – autor de feitos como “A Gata Devassa” e “Roberta, a Gueixa do Sexo”. O elenco reunia belas mulheres, como as atrizes Renata Candu e Shirley Steck, que já haviam se despido em títulos como “Internato das Meninas Virgens” e “Uma Cama Para Sete Noivas”. O protagonista tinha que ser um cantor e, certamente por razões financeiras, a escolha recaiu sobre o obscuro Ivan Carlos, um jovem que tentava iniciar a carreira entoando canções sertanejas, que, então, começavam a se popularizar pelo país.

 O filme foi rodado no povoado de Talhado e, entre alguns participantes locais, contou com uma “ponta” do radialista Olívio Campanha, o “Cuiabano”, que não fazia mais do que entrar no bar, dar um tapa no balcão e pedir uma cachaça. Na história, Ivan Carlos interpretava um rapaz ingênuo e humilde, operário de uma olaria, que gostava de cantar músicas românticas e por isso tornara-se muito popular entre as garotas do lugarejo e, ao mesmo tempo, odiado pelos demais rapazes.

 Não é difícil imaginar o que seguia, até que o oleiro resolvesse expulsar de casa a amada que o enganava, fazendo exatamente o contrário do que o João de Barro fizera na música (“cego de dor, trancou a porta da morada / deixando lá a sua amada / presa pro resto da vida”).

 Acho que o filme foi exibido alguns dias no Cine Central, mas jamais foi lançado em São Paulo e em outros lugares. A carreira do cantor parece ter tido idêntica efemeridade, embora Ivan Carlos tenha vivido minutos de celebridade, como no dia em que recebeu jornalistas para uma entrevista no apartamento onde estava hospedado, no elegante Augustus Hotel, no Centro. A certa altura, pediu para interromper a entrevista, discou um número no telefone e exultou:

 –Manhê! Você não vai acreditar… Até a imprensa tá aqui me entrevistando!!!” (Texto de José Luis Rey retirado de: http://www.redebomdia.com.br/Artigo/1227/O+filme+esquecido).

Vamos passar o filme “João de Barro” de Raffaele Rossi no 2º Seminário “O Trabalho no Século XXI”, a ser realizado de 16 a 18 de março de 2011, no Ibilce – Unesp – Rio Preto. O dia será 18 de março a partir das 8:00h.

Alguns Discos Gravados por Ivan Carlos:

1973 – Compacto – Lado A – A Noviça e Lado B –  Coisas que Lembram Você

S/D – LP – Meu Jovem Sertão

S/D – Compacto – Lado A – Mariazinha/ Casinha Pequenina e Lado B – João de Barro/ Ingratidão

Fotos de  Ivan Carlos  Compacto Vinil Lp

CPD-0043- Ivan Carlos- João de Barros (filme) - MC - Outros Estilos Musicais

Tópicos da Área de Ciências Humanas e suas Tecnologias 3

On março 12, 2011, in RP-CE, by Fábio Fernandes Villela


Iluminura das Cantigas de Santa Maria (Ms. escurialense).

Cantigas Trovadorescas – releituras e intertextos

Olá, pessoal! Tudo bem?
Os estudantes começaram a estudar as Origens de Portugal e o Trovadorismo como Tópicos da Área de Ciências Humanas e suas Tecnologias.  Abaixo há algumas produções da época do Trovadorismo com alguns intertextos produzidos nos dias atuais. Na Idade Média os senhores feudais contratavam recitadores, cantores e músicos para divertir a corte. As cantigas eram compostas, quase sempre, por nobres que se denominavam trovadores, porque praticavam a arte de trovar. Surgiram nesse período muitas cantigas, sendo que algumas extrapolaram os limites dos castelos. Elas foram denominadas assim:

Cantigas de Amor

Neste tipo de cantiga o trovador destaca todas as qualidades da mulher amada, colocando-se numa posição inferior (de vassalo) a ela. O tema mais comum é o amor não correspondido. As cantigas de amor reproduzem o sistema hierárquico na época do Feudalismo, pois o trovador passa a ser o vassalo da amada (suserana) e espera receber um benefício em troca de seus “serviços” (as trovas, o amor dispensado, sofrimento pelo amor não correspondido).
Canção de Amor (Dom Dinis) Cantiga de Amor (Lourenço & Lourival)
Quer’eu em maneira de proença!
      fazer agora um cantar d’amor
      e querrei muit’i loar lmia senhor
      a que prez nem fremosura nom fal,
      nem bondade; e mais vos direi ém:
      tanto a fez Deus comprida de bem
      que mais que todas las do mundo val.
      Ca mia senhor quizo Deus fazer tal,
      quando a faz, que a fez sabedord
      e todo bem e de mui gram valor,
      e com tod’est[o] é mui comunal
      ali u deve; er deu-lhi bom sém,
      e desi nom lhi fez pouco de bem
      quando nom quis lh’outra
      foss’igual
      Ca mia senhor nunca Deus pôs mal,
      mais pôs i prez e beldad’e loor
      e falar mui bem, e riir melhor
      que outra molher; desi é leal
      muit’, e por esto nom sei oj’eu quem
      possa compridamente no seu bem
      falar, ca nom á, tra-lo seu bem, al.

Tradução

Quero à moda provençal
      fazer agora um cantar de amor,
      e quererei muito aí louvar minha senhora
      a quem honra nem formosura não faltam
      nem bondade; e mais vos direi sobre ela:
      Deus a fez tão cheia de qualidades
      que ela mais que todas do mundo.
      Pois Deus quis fazer minha senhora de tal modo
      quando a fez, que a fez conhecedora de
     todo bem e de muito grande valor,
      e além de tudo isto é muito sociável
      quando deve; também deu-lhe bom senso,
      e desde então lhe fez pouco bem
      impedindo que nenhuma outra fosse igual a ela
      Porque em minha senhora nunca Deus pôs mal,
      mas pôs nela honra e beleza e mérito
      e capacidade de falar bem, e de rir melhor
      que outra mulher também é muito leal
      e por isto não sei hoje quem
      possa cabalmente falar no seu próprio bem
      pois não há outro bem, para além do seu.

Ao receber o convite do seu casamento
Desmoronou meu castelo de sonhos ao vento
Nao pude crer que de você partiu essa maldade
Será que esqueceu que quem te mas sou eu
Meu amor é verdade

Eu lhe perdou por dizer que seu pai é o ocupado
Pois ele foi sempre contra o nosso noivado
E deu sua mão para outro no gesto apressado
Para nao permitir fosse ser mais feliz ao meu lado

Sem seu amor sou o homem mais pobre da terra
Sem carinho a vida se encerra
Sem seus beijos nao posso viver

O seu amor nesta vida é tudo que quero
Acredite meu bem sou sincero
Sem você sou capaz de morrer

 

Cantigas de Amigo

 

Enquanto nas Cantigas de Amor o eu-lírico é um homem, nas de Amigo é uma mulher (embora os escritores fossem homens). A palavra amigo nestas cantigas tem o significado de namorado. O tema principal é a lamentação da mulher pela falta do amado. 
Cantiga de Amigo (Martim Codax)  Fico assim sem você (Claudinho e Buchecha – Composição: Abdullah / Caca Moraes)
Ondas do mar de Vigo, Acaso vistes meu amigo? Queira Deus que ele venha cedo!
Ondas do mar agitado Acaso vistes meu amado? Queira Deus que ele venha cedo!
Acaso vistes meu amigo Aquele por quem suspiro? Queira Deus que ele venha cedo!
Acaso vistes meu amado, Por quem tenho grande cuidado (preocupado)? Queira Deus que ele venha cedo!
Avião sem asa, fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola,
Piu-Piu sem Frajola
Sou eu assim sem vocêPor que é que tem que ser assim
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
vão poder falar por mimAmor sem beijinho
Buchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço
Namoro sem amasso
Sou eu assim sem vocêTô louca pra te ver chegar
Tô louca pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço
Que falta no meu coraçãoEu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas
Pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigoPor quê? Por quê?Neném sem chupeta
Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada
Queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você

Por que é que tem que ser assim
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
vão poder falar por mim

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo

 

Cantigas de Maldizer

Através delas, os trovadores faziam sátiras diretas, chegando muitas vezes a agressões verbais. Em algumas situações eram utilizados palavrões. O nome da pessoa satirizada podia aparecer explicitamente na cantiga ou não.
Cantiga de Maldizer (João Garcia Guilharde) Cantiga de Maldizer (Phosphurus – Composição: Kika Simone/ Diego Maraschin) 
Ai, dona feia, foste-vos queixar 
que nunca vos louvo em meu cantar;
mas agora quero fazer um cantar
em que vos louvares de qualquer modo;
e vede como quero vos louvar
dona feia, velha e maluca! Dona feia, que Deus me perdoe,
pois tendes tão grande desejo
de que eu vos louve, por este motivo
quero vos louvar já de qualquer modo;
e vede qual será a louvação:
dona feia, velha e maluca! Dona feia, eu nunca vos louvei
em meu trovar, embora tenha trovado muito;
mas agora já farei um bom cantar;
em que vos louvarei de qualquer modo; 
e vos direi como vos louvarei: 
dona feia, velha e maluca!
Eu só respeito (+2x)… à mim.

Não quero ver ninguém chorar mais por aí.
Não quero ver mais ninguém triste sem dormir.
Só vou escrever o que quero escrever.
Não qiero que você cante para mim.

(Refrão)
Escutasse o que eu disse ou não?
Suas mentiras não querem sair.
E você pode achar a razão,
Ou que tem ela pra mim.

Eu não dirijo minhas palavras pra ninguém,
A não ser que não seja pra você.
Não tenho idade mais pra me enganar,
E sei que o trouxa aqui não sou mais eu.

(Refrão)
Escutasse o que eu disse ou não?
Suas mentiras não querem sair.
E você pode achar a razão,
Ou que tem ela pra mim.

Eu só respeito (+6x)… à mim.

(Refrão)
Escutasse o que eu disse ou não?
Suas mentiras não querem sair.
E você pode achar a razão,
Ou que tem ela pra mim.

Eu só respeito (+6x)… à mim.

 
 

Cantigas de Escárnio

 Nestas cantigas o nome da pessoa satirizada não aparecia. As sátiras eram feitas de forma indireta, utilizando-se de duplos sentidos.

Cantiga de Escárnio (Pero Larouco)

Sobre vós, senhora, eu quero dizer verda Sobre vós, senhora, eu quero dizer verdade
e não já sobre o amor que tenho por vós:
senhora, bem maior é vossa estupidez
do que a de quantas outras conheço no mundo
tanto na feiúra quanto na maldade
não vos vence hoje senão a filha de um rei
Eu não vos amo nem me perderei
de saudade por vós, quando não vos vir.  de
e não já sobre o amor que tenho por vós:
senhora, bem maior é vossa estupidez
do que a de quantas outras conheço no mundo
tanto na feiúra quanto na maldade
não vos vence hoje senão a filha de um rei
Eu não vos amo nem me perderei.

Atraso ou Solução (Juca Chaves )

Já meia hora atrasada
o que em ti é natural.
Até pareces, querida,
com os nossos trens da central
isto ainda acaba mal.

Não brinques assim comigo,
com este teu vem ou não vem,
não faças de estação meu coração,
nem faças o teu de trem, tá bem?

Ai, ai, amor, ai que dor
eu sinto o ar esperar
até a chuva já veio,
mas não vens, ai, por que?
quem me dera, minha amada
se tu fostes viatura
cá da nossa prefeitura
pois te dava uma pedrada
muito bem dada.

 

Texto retirado e reelaborado a partir de: http://tecendoapalavra.blogspot.com/