Curso de Extensão: Território Caipira: Uma Civilização do Milho

On outubro 26, 2016, in EduCoop, by Fábio Fernandes Villela

Boa tarde amig@s do mutirão! Tudo bem?

Convite a tod@s para o curso de extensão “Território Caipira: Uma Civilização do Milho”. Segue abaixo informações detalhadas sobre o curso.

Até lá, Prof. Fábio Villela.

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Curso de Extensão: Território Caipira: Uma Civilização do Milho

Objetivo: O principal objetivo do curso é oferecer à comunidade em geral e aos alunos do Ibilce/Unesp a possibilidade de adquirir novos conhecimentos na área de educação do campo. Os objetivos do curso são propiciar meios para analisar as questões teóricas relativas à cultura ambiental e a educação do campo, fornecendo aos interessados o instrumental histórico-crítico necessário para a abordagem dos problemas enfrentados neste âmbito disciplinar.

Vagas: 40 (quarenta vagas), sendo 4 (quatro) reservadas a alunos de Cursos de Graduação da UNESP.

Carga horária: 42 (quarenta e duas) horas: 16 (dezesseis) horas presenciais, 4 (quatro) sábados pela manhã e 26 (vinte e seis) horas a distância.

Docente Coordenador: Prof. Dr. Fabio Fernandes Villela – Departamento de Educação – IBILCE/UNESP.

Público alvo: Comunidade em geral, alunos de Pedagogia Ibilce/Unesp e alunos do Ibilce/Unesp.

Unidade: Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas – IBILCE/UNESP, Câmpus: São José do Rio Preto

Conteúdo:

1. Cultura Ambiental e Educação do Campo (Equipe: Fábio Villela).
1.1. Educação do campo.
1.2. Cultura ambiental e desenvolvimento sustentável.
1.3. Território caipira: construção social e identidade cultural do noroeste paulista.
1.4. Elevação de escolaridade associada à qualificação social e profissional.
1.5. Possibilidades de inclusão produtiva do território caipira.
1.6. Território caipira: uma civilização do milho.

2. Manejo da Cultura do Milho (Equipe: Oliver Blanco).
2.1. Importância da cultura e custos da produção.
2.2. O milho em um sistema de rotação de culturas.
2.3. Manejo da calagem e adubação.
2.4. Cultivares e semeadura.
2.5. Manejo de invasoras, insetos, pragas e doenças.
2.6. Colheita, secagem e armazenamento.

3. Agricultura Familiar e Agroecologia (Equipe: Ceci Bonito).
3.1. Gestão e organização da agricultura familiar.
3.2. Desenvolvimento sustentável e agricultura familiar.
3.3. Agricultura familiar no contexto do desenvolvimento rural sustentável.
3.4. Horta orgânica tipo Mandala.
3.5. Produção de base agroecológica da Horta Mandalla de Ipiguá-SP.
3.6. Estudo do meio.

4. Mulheres e Educação do Campo (Equipe: Danielle Volpian).
4.1. Discussão de gênero (contexto histórico)
4.2. Reinvindicações das mulheres, movimento feminista
4.3. Relações de gênero no campo, e a realidade das mulheres
4.4. Educação do campo e setor de gênero
4.5. Empoderamento feminino e agroecologia
4.6. Dinâmica / mística

Local; período de realização e horários:

- Laboratório de Ensino da Pedagogia do IBILCE/UNESP e Horta Mandalla em Ipiguá/SP.

- De 05/11/2016 a 17/12/2016.

Horário: 16 (dezesseis) horas presenciais, 4 (quatro) sábados pela manhã (8:00h as 12:00h, no Laboratório de Ensino da Pedagogia e Horta Mandalla em Ipiguá – SP) e 26 (vinte e seis) horas a distância (Ead).

- Aulas do Módulo Presencial (P): 05/11; 12/11; 03/12 e 10/12 de 2016 (Laboratório de Ensino da Pedagogia e Horta Mandalla em Ipiguá – SP).

- Aulas do Módulo Educação à Distância (Ead): Blog de Aula – Centro Virtual de Estudos de Culturas do Mundo Rural: 14/11 a 16/12 de 2016.

- Entrega do Relatório Final: 17/12/2016.

Período de inscrição:

Comunidade externa: de 17/10 a 24/10/2016.
Comunidade interna: de 25/10 a 04/11/2016.

Local de Seção Técnica de Comunicações do IBILCE/UNESP. Rua Cristóvão inscrição: Colombo, 2265. Jd. Nazareth. São José do Rio Preto/SP. Dias e horários para inscrição: de 2ª a 6ª feira (exceto feriados), das 09h às 11h e das 14h às 16h.

Mais informações: Telefones (17) 3221-2318 (Coordenador) e 3221-2320 (Departamento de Educação). E-mail: fabio@fabiofernandesvillela.pro.br

Documentos necessários para inscrição:

- Preenchimento da ficha de inscrição;
- Xerox do documento de identidade;
- Ser parte do “Público Alvo”;
- Apresentar comprovante de matrícula no curso de graduação do IBILCE/UNESP (comunidade interna);
- Pagamento das taxas.

Investimento: R$50,00 (cinquenta reais), sendo:
- Taxa regulamentar da UNESP – R$17,00 (dezessete reais);
- Taxa de R$ 33,00 (trinta e três) reais, referente a gastos de execução do Curso.

Informações importantes:

- Inscrições fora do prazo estabelecido neste Edital não serão aceitas.
- Os valores relativos às taxas não serão devolvidos, cabendo aos inscritos a atenção quanto aos critérios estabelecidos neste Edital.
- Conforme o Artigo 1º, § 2º, da Resolução UNESP 059/2014, é obrigatória a participação da comunidade externa e, caso não haja inscritos, o curso será cancelado.

2 Comentários “Curso de Extensão: Território Caipira: Uma Civilização do Milho”

  1. Adaisa Adail Alves Dinalli disse:

    No texto “Uma civilização do milho” vimos que o termo foi utilizado e propagado amplamente devido às considerações de Sérgio Buarque de Hollanda ao analisar a culinária na área paulista em que o milho aparece como preferência alimentar dessa região “menos marcada pela influência de correntes migratórias recentes, em particular os italianos”. Sendo um alimento tipicamente indígena, sua apreciação já foi considerada “farinha de cachorro” e “angu para os negros” quando triturado e cozido. O texto mostra ainda que a dieta paulista do milho era baseada no seu preparo com os “grãos amadurecidos” em forma de “farinha de milho”, “sururuca”, “canjica grossa” ou “guisado especial de São Paulo” e que sendo simples, assemelhava-se “à culinária das tribos selvagens”. Ainda, a facilidade de cultivo e de transporte de sementes em detrimento das ramas da mandioca contribuiu para a preferência do milho sobre a mandioca entre os paulistas, estes consideravam a farinha de mandioca “menos nutritiva, embora de mais fácil digestão, do que a de milho’.
    A fim de melhor compreender o “complexo do milho”, o texto chama a atenção para a “simplicidade e rusticidade das técnicas necessárias à elaboração de seus produtos” que vão além do clima e solo propícios mas, estão ligadas à “subsistência familiar” e, portanto, falta de estímulo técnico para produção em maior escala, preservando, assim, as “técnicas indígenas de elaboração de um produto indígena” que é o milho, em nossa região.

  2. Adaisa Adail Alves Dinalli disse:

    No texto “Cultura ambiental no território caipira: histórias e saberes tradicionais de mulheres do noroeste paulista”, temos o estudo da compreensão da história e dos saberes tradicionais através da análise de alguns conceitos e temas tais como: cultura ambiental; desenvolvimento sustentável; território noroeste paulista; território caipira: construção social e identidade cultural do noroeste paulista; história e saberes tradicionais das mulheres no território caipira e educação de jovens e adultos no território caipira.
    A “cultura ambiental” aparece como uma tentativa de compreensão da relação da cultura da terra (com toda sua complexidade inerente) com suas formas de exploração. Diante dessas formas de exploração dos recursos naturais(em especial a terra), cada vez mais perversos e dos “limites absolutos do capital” (Mészáros), pensar numa cultura ambiental torna-se indispensável frente ao desafio de “repensar novas relações de produção, discutir temas relacionados à ecologia, agroecologia, cooperação agrícola. etc, como forma de resistência e construção de uma nova realidade societária”(Foster). Assim, os assentamentos rurais, especialmente, do Estado de São Paulo, tornam-se ambientes propícios para resistência da perversidade do capital visto que há predominância da agricultura familiar e da preservação das tradições e dos conhecimentos populares de manejo da cultura do campo. Assim o conceito de “cultura ambiental” vai além do espaço físico do campo pois estão “intrinsecamente ligadas as formas de consciência social: a politica, a ética, a religião, a estética, a jurídica, e a científica”(Irizarri). Ao adquirir uma “consciência ambiental”, o indivíduo age sobre o ambiente em que vive de modo a contemplar as necessidade de seu tempo e a preservar para as futuras gerações. Uma consciência ambiental não esta´apenas associada a seu mundo, ao seu redor, mas ao equilíbrio de que dependerá essa e outras gerações num respeito mútuo e em prol da coletividade, com responsabilidade social.

    A ideia de “desenvolvimento sustentável” complementa a ideia anterior de “cultura ambiental” uma vez que é necessário pensar numa “solidariedade econômica territorial” que contemple a todos que dependem direta ou indiretamente dos recursos produzidos pelo ambiente de modo sustentável e cooperativo.

    Sobre o “território noroeste paulista”, cabe uma visão muito peculiar sobre o território enquanto resultante de “diferentes relações sociais que os produzem” que será analisada mais adiante em “território caipira”.

    Em “território caipira; construção social e identidade cultural do noroeste paulista”, serão abordados os saberes tradicionais, as mulheres do campo e a educação de jovens e adultos para melhor compreensão e análise. O autor Haesbaert atribui ao “território” dois valores: um concreto e outro simbólico. Por valor concreto, entendemos que são os usos terra enquanto objeto concreto de exploração, um recurso, propriamente dito enquanto; por simbólico temos os processos de apropriação desses recursos que estão intimamente relacionados aos aspectos econômicos, políticos e culturais de acesso e uso desses recursos. A “consciência territorial” que se tem de determinado território está intimamente relacionada com os “saberes tradicionais” pela qual se expressam determinadas culturas. Cultura, desse modo, quer dizer, um “conjunto de saber-fazer, de práticas, de conhecimentos, de atitudes e de ideias que cada indivíduo recebe, interioriza, modifica ou elabora no decorrer de sua existência” (Claval). Assim, os saberes tradicionais são aqueles relacionados ao modo de vida cotidiano, perpassados através de práticas sociais no âmbito da família e da comunidade numa tentativa de “fixação” ou “marca do modo de vida” enquanto resistência ao modo de vida econômico e financeiro voltado para o individualismo.

    Em “Histórias e saberes tradicionais das mulheres no território caipira”, vemos um avanço político no cenário nacional de valorização e preservação das “comunidades tradicionais” e suas culturas peculiaridades. Uma dessas comunidades tradicionais “não indígenas” é o que denominou-se “caipira ou sitiante” ou aquele que vive “precariamente em nichos entre as monoculturas do Sudeste e Centro Oeste, em pequenas propriedades em que desenvolvem atividades agrícolas e de pequena pecuária, cuja produção se dirige para a subsistência familiar e para o mercado” (Diegues) onde, de acordo com o autor, incluem-se as regiões de São José de Rio Preto, Araçatuba e Lins. As mulheres possuem participação crucial na perpetuação desses saberes tradicionais pois acumulam a cultura tradicional que perpetuam em seus lares, lares estes muitas vezes escorados por afazeres domésticos e trabalho rural. A perpetuação dessas tradições ocorre, na maioria das vezes, ao redor da cozinha enquanto um “microcosmo da sociedade” onde o preparo dos pratos típicos regionais aparecem como “bens culturais, lugares de memória ou patrimônio imaterial”, quase sempre, preparado pelas mulheres. Faz-se, portanto, necessário o resgate de tais tradições, ou “acupuntura” territorial, a fim de “fazer intervenções pontuais no território” valorizando e estimulando tal cultura e promovendo sua autossuficiência através de “alternativas econômicas” que lhes são peculiares. Nesse território específico, remetemo-nos aos assentamentos rurais provenientes e longas conquistas sociais pela fixação do homem na terra, a distribuição justa da mesma e sua função social. Assim, torna-se necessário a luta pela permanência do assentado e de seus descendentes na sua terra, através de políticas públicas de incentivo à produção agrícola, ao uso consciente da terra, à sua organização social e cultural, além do acesso à escolarização dos assentados, assentadas e seus descendentes, daí a necessidade da educação no campo através de ações como a EJA.

    Além das ações da EJA, como uma aliada no processo de preservação da tradições culturais dos assentados, há, ainda, a necessidade de as escolas “não rurais” trazerem a vivência dos povos tradicionais para dentro de seus currículos. É necessário contemplar os saberes tradicionais a fim de tornar o aprendizado mais significativo para uma parcela da população do campo que não vivenciou o processo de luta pela terra e sua permanência, as crianças e os jovens. Vemos, ao contrário, escolas tradicionais, com currículo unificado, massificado, “valido em todo território nacional” às margens dos assentamentos em escolas governamentais e municipais com os mesmos currículos para todos. Nessas escolas, os critérios para admissão de docentes são o mesmos das demais escolas, não considerando a realidade do campo, bem como o currículo que contempla tão-somente as “Situações de Aprendizagem” válidas tanto para as escolas do campo quanto para as escolas da cidade. A situação é a mesma quando nos remetemos às escolas da cidade que recebem os alunos do campo: muitos sofrem, ainda, discriminação por serem oriundos de áreas rurais e não se sentem pertencentes ao grupo a que são destinados. Por conseguinte, temos uma escola tradicional, que reflete os “aparelhos ideológicos do Estado”, não contemplando as diferenças culturais e quando estas se sobrepõem são menosprezadas enquanto “cultura inferior”. Não raras vezes, vemos professores angustiados com a sensação de “perda da batalha” por não formar ali um aluno “letrado”, apto ao Ensino Superior, como se todos fossem obrigados a ter uma carreira acadêmica ou uma profissão promissora. Perde-se, pois, a oportunidade de vivenciar a experiência da cultura popular, das tradições culturais que esses alunos podem trazer para a escola e de haver uma maior aproximação dessa realidade com os currículos escolares, dando margem a um grande número de evasão e retenção escolar. Pelo menos, é assim que vejo em minha cidade, Promissão, em que há 839 famílias assentadas, a maior do Estado. Há apenas uma escola Ide Ensino Infantil e Fundamental, Ciclo I, que é municipal e apenas uma que atende o Ensino Fundamental Ciclo II e Ensino Médio; as demais, ficam na área urbana e requer o transporte dos alunos.

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