Tópicos da Área de Ciências Humanas e suas Tecnologias 5

On outubro 11, 2011, in RP-CE, by Fábio Fernandes Villela

Ciclo Arturiano

As referências mais antigas ao rei Artur situam-se cerca do ano 600 d. C., em dois poemas galeses. Mais tarde, na Historia Brittonum (História da Bretanha) do monge escocês Nennius do século IX, é apelidado de senhor dos exércitos, que numa só das batalhas matou novecentos e sessenta homens.

É conhecida a menção feita nas Mirabilia (Maravilhas) à pedra que tem a pegada que o seu cão Cabal deixou na caçada ao porco Twrch Twryth e o sepulcro de Amr, filho do rei. O rei Artur aparece como um juiz que milagrosamente se coloca do lado do Bem nas Vidas de Santos dos séculos IX e XII. Também se refere uma batalha, a de Camlann, na qual caíram Artur e Medrawd nos Annales Cambriae (Anais da Cambria) do século X.

É relatado num poema galês, no livro de Chrétien de Troyes e na Vita Gildae o reencontro de Artur com Gwenhwyfar (nome galês de Guinevere), sua mulher, que tinha sido raptada pelo rei do País do verão, Melwas. Os romances de Chrétien de Troyes e de Marie de France, dos séculos XII e XIII, lançaram as bases do mito da altura da Távola Redonda.

Foi quando Edmond Faral publicou A Lenda Artúrica, estudando a origem de textos latinos medievais que se falou pela primeira vez num Ciclo Arturiano. Neste livro se fala de obras como a Historiae Regum Britaniae (História do Reino da Bretanha) de Geoffroi de Monmouth, datada de 1137 e que relata as lendas das conquistas e da morte de Artur em 542 d. C.

Uma das origens indicadas para este Ciclo é a da fusão de lendas do século VI teriam levado para a Bretanha referentes um chefe guerreiro chamado Artur e de um deus celta chamado Artaius.

Em 1191 os monges da Abadia da Ilha de Glastonbury (que foi por alguns identificada com Avalon) declararam ter descoberto o túmulo de Guinevere e de Artur, causando grande agitação. Em 1278 os ossos foram transportados para uma nova sepultura e perdidos quando esta foi destruída durante a Reforma.

No poema de Chrétien de Troyes aparece como rei de Camelot, acompanhado por pelo sábio feiticeiro Merlim e rodeado de nobres cavaleiros que participam em grandiosas aventuras (como a da procura do Santo Graal). Entre estes cavaleiros, pertencentes à Távola (Mesa) Redonda, estão Lancelot, Gawain e Galahad.

Artur terá ganho o direito de ser rei depois de ter arrancado uma espada (Excalibur) que estava cravada numa rocha. Esta espada só podia ser retirada pelo herdeiro do rei Uther Pendragon, que seria o “verdadeiro rei”, e cortava qualquer material. Noutros contos diz-se que a Excalibur teria sido dada ao rei pela Dama do Lago.

Foi na batalha de Camlann contra o exército de Mordred que foi morto. Algumas versões dizem que apenas ficou ferido e foi depois transportado para a ilha de Avalon. Mordred é apresentado também como filho do incesto de Artur com a sua irmã e como Cavaleiro da Távola Redonda, tendo conseguido matar o pai porque este não usava a cota de malha que lhe dava a invencibilidade. A Távola Redonda teria sido o dote da rainha Guinevere, e o facto de ser circular evitava lutas pela precedência.

A história de Tristão e Isolda é também associada ao Ciclo Arturiano, apesar do rei Artur não desempenhar um papel muito importante. A queda de Camelot está diretamente ligada ao romance da rainha Guinevere com Lancelot.

A verdade é que não se sabe se as lendas referentes ao rei Artur e aos Cavaleiros da Távola Redonda foram inventadas e escritas por romancistas da Idade Média ou se têm origem em mitos populares transmitidos por via oral. O mais provável é que este Ciclo tenha surgido da mesma maneira que surgiu quase toda a literatura: juntavam-se vários elementos diferentes para criar uma história nova. A história da ida de Artur para Avalon reflete uma inconformidade comum a muitos povos, que não aceitam a desaparição do herói salvador acreditando que um dia voltará.

Artur tem a sua corte ou na Cornualha ou no Sudeste do País de Gales (conforme o mencionado em obras como Culhwch e Olwen), sendo caçador de bruxas, javalis mágicos, monstros, guerreiro que chefia um exército magnífico e heroico, generoso, destemido e protetor das mulheres, aventurando-se através de todos os enigmas para chegar aos mistérios do Além, parecendo-se assim aos Fianna irlandeses (exércitos nómadas e aventureiros, de hábitos severos, liderado por Finn mac Cumhal, do qual também se diz que voltará numa hora de necessidade). Estas características estão também presentes nos seus Cavaleiros, que vivem aventuras nobres, maravilhosas e arriscadas e quando cometem algum erro são repreendidos em público.

No Ciclo Arturiano estão representadas as três funções indo-europeias (o Conhecimento, o Combate e a Riqueza) nas aventuras dos heróis Peredur, Owain e Geraint. O Sonho de Rhonabwy, A Dama da Fonte, Lancelot, o Cavaleiro do Carro e a Lenda de Taliesin são outras lendas arturianas. Na catedral de Módena, em Itália, foi gravada no século XII, na arquivolta do portal virado a norte, uma cena que representa o ataque de um castelo pelo rei Artur e os seus cavaleiros. Este exemplo demonstra a importância que o tema atingiu.

Literatura Galega

A lírica trovadoresca galaico-portuguesa configura-se, provavelmente, como uma das mais originais e ricas do panorama trovadoresco e demarca, no século XIII, o momento álgido da literatura desta região. O mesmo não se pode dizer da narrativa, caracterizada por um desenvolvimento tardio que se deve a dois factores: a permanência do latim como veículo internacional de cultura e a crescente pressão do castelhano no mesmo registo. Em contrapartida, dispõe-se de um grande número de documentos notariais, actas de conselhos, ordenamentos, foros, etc, em língua galega. Esta situação resulta da falta de normalidade que caracterizou o desenvolvimento da língua galega e da própria estrutura política e social de base.

A prosa medieval galaico-portuguesa divide-se em três ciclos: o ciclo bretão, o clássico e o carolíngio. O primeiro estava escrito em galego-português, ao passo que os restantes dois se encontravam já em galego.

O ciclo bretão contempla os principais blocos temáticos da matéria de Bretanha: as aventuras do Rei Artur, o mago Merlin, a rainha Ginebra e os cavaleiros Perceval, Lançarote, Galaaz, Boors; a história de amor entre Tristão e Isolda, fruto de uma beberagem mágica que os conduz a um fim trágico; e a lenda da demanda do Santo Graal. Este último bloco temático narra as aventuras dos cavaleiros do Rei Artur em busca do cálice que Jesus teria usado, supostamente, na última ceia e que continha o segredo da vida eterna. Encontra-se dividido em três partes:

1. O Livro de José de Arimateia: explica como José de Arimateia, um carpinteiro judeu, teria recolhido o sangue de Jesús num cálice (o Santo Graal) e transportado a um misterioso castelo na Grã-Bretanha, onde permaneceria sob custodia. Só um cavaleiro distinguido pela sua virtude se poderia beneficiar do seu poder.

2. Fragmentos do Livro de Merlin: narra as profecias do mago a respeito do virtuoso cavaleiro que se beneficiaria do poder do Graal.

3. A Demanda do Santo Graal: descreve as aventuras dos cavaleiros artúricos na procura do Santo Graal. Apenas Perceval, Galaaz e Boors seriam agraciados com a graça da vida espiritual. Galaaz e Perceval pereceriam e apenas Boors sobreviria para chegar à corte do Rei Artur e relatar-lhe a morte dos seus companheiros.

Estas lendas têm origem na mitologia celta e adquirem um forte impulso a partir do século XII, sendo amplamente acolhidas pelo conjunto da sociedade medieval europeia. A primeira menção, porém, a uma personagem histórica que poderia ter servido de modelo para a elaboração do mítico Artur de Camelot remonta ao século VI e é da autoria de Gildes, o Sábio, um monge bretão autor de De excidio et conquestu Britanniae (Sobre a destruição e a conquista de Britannia). Na sua obra, Giles menciona um general bretão de origem romana chamado Ambrosius Aurelianus que derrotou os invasores Saxões em mais do que uma ocasião. Por volta do ano 800, o historiador Nennius, no capítulo 56 da sua Historia Britonum, identifica o general mencionado por Giles como sendo Arthur, dux bellorum dos bretões.

Fontes:

Ciclo Arturiano. In: Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2011. Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$ciclo-arturiano>.

Literatura Galega. In: Wikipédia. Disponível na www: <URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Literatura_galega>.

4 Comentários “Tópicos da Área de Ciências Humanas e suas Tecnologias 5”

  1. l. disse:

    As referências mais antigas ao rei Artur situam-se cerca do ano 600 d. C., em dois poemas galeses. Mais tarde, na Historia Brittonum (História da Bretanha) do monge escocês Nennius do século IX

  2. c. disse:

    bom eu acho muito interesante o desenho cor è muito bom por que é uma coisa diferente é uma coisa que agente esta conhecendo que é do dia a dia eu adoro muito e é um conhecimento as músicas também é muito simbolica.

  3. r. disse:

    As referências mais antigas ao rei Artur situam-se cerca do ano 600 d. C., em dois poemas galeses. Mais tarde, na Historia Brittonum (História da Bretanha) do monge escocês Nennius do século IX, é apelidado de senhor dos exércitos, que numa só das batalhas matou novecentos e sessenta homens.

    É conhecida a menção feita nas Mirabilia (Maravilhas) à pedra que tem a pegada que o seu cão Cabal deixou na caçada ao porco Twrch Twryth e o sepulcro de Amr, filho do rei. O rei Artur aparece como um juiz que milagrosamente se coloca do lado do Bem nas Vidas de Santos dos séculos IX e XII. Também se refere uma batalha, a de Camlann, na qual caíram Artur e Medrawd nos Annales Cambriae (Anais da Cambria) do século X.

  4. l. disse:

    O Trabalho de boiadeiro mudou muito pois ante eles viviam varios dias viajando com a boiada, e ñ tinham uma casa própria.Era pião solto no mundo .E hj em dia já não tem mais boiadero são caminhões e tudo ja mudou.

Deixar um comentário