Tópicos da Área de Ciências Humanas e suas Tecnologias 3

On novembro 19, 2012, in RP-CE, by Fábio Fernandes Villela

Bom dia alunos participantes do projeto de extensão! Tudo bem?

A entrevista com o sociólogo Ricardo Antunes na revista Cult edição 139 (2010) sobre “Os dilemas do trabalho no limiar do século 21” aponta para as relações entre o desemprego, a degradação do trabalho e o trabalho jovem. Leia, a seguir, alguns trechos da entrevista e comente “o que o trabalho não é” nos dias de hoje. Bom trabalho! Prof. Fábio Fernandes Villela.

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Desemprego

Uma rápida consulta aos dados acerca do desemprego mundial é esclarecedora. A Organização Internacional do Trabalho (OIT), em recente relatório, projetou mais de 50 milhões de desempregados ao longo deste ano de 2009, em consequência da intensificação da crise que atingiu especialmente os países do Norte. A mesma OIT acrescentou ainda que aproximadamente 1,5 bilhão de trabalhadores sofrerão redução em seus salários (Relatório mundial sobre salários 2008 – 2009).

A América Latina também não ficou de fora desse cenário: a mesma OIT antecipou que, dada a ampliação da crise, “até 2,4 milhões de pessoas poderão entrar nas filas do desemprego regional em 2009”, somando-se aos quase 16 milhões hoje desempregados, sem falar do “desemprego oculto” e outros mecanismos que mascaram as taxas reais de desemprego (Panorama laboral para América Latina e Caribe, janeiro de 2009).

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No limite da degradação

Dentro de um contexto marcado por uma profunda crise estrutural, ampliam-se, portanto, as formas de aviltamento do trabalho. Os exemplos são abundantes e o espaço aqui seria por demais limitado. Mas podemos emblematicamente apresentar alguns casos mais expressivos. A cada dia vemos mais e mais exemplos de trabalho escravo no campo; nos agronegócios do açúcar, no etanol de Lula, cortar mais de 10 toneladas de cana por dia é a média por baixo, low profile. No norte do país esse número pode chegar a até 18 toneladas diárias.

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O trabalho jovem

São essas algumas das forças que moldam o mundo do trabalho hoje. Mas existe ainda um outro ponto – dentre tantos – que podemos lembrar, para concluir. Sendo a CULT uma publicação que tem nos jovens um público importante, vale a pena fazer uma nota geracional: poucos jovens hoje conseguem emprego nas carreiras que escolheram. Quando têm qualificação, perambulam de um emprego a outro até chegar – se conseguirem – ao que pretendiam inicialmente. Quando lhes falta o capital cultural, aí a empreitada é mais difícil. Para conseguir emprego, são “obrigados” a realizar trabalhos “voluntários”. Ou o que é ainda mais frequente: a explosão do trabalho do estagiário, que se converte em um trabalho efetivo com sub-remuneração.

Se a ordem societal dominante dificulta o acesso dos jovens em idade de trabalhar, ela inclui, por outro lado, precoce e criminosamente crianças no mercado de trabalho, não somente no Sul, mas também nos países capitalistas avançados. Pouco importa que o trabalho hoje seja supérfluo e que centenas de milhões de assalariados em idade de trabalho se encontrem em desemprego estrutural. Os capitais globais frequentemente recorrem ao corpo produtivo das crianças, que deveriam estar exercitando seu corpo brincante (na conceitualização de Maurício da Silva). E esse retrato se amplia quando estudamos a produção de sisal, de têxtil e confecções, calçados, cana-de-açúcar, carvoarias, pedreiras, olarias, emprego doméstico etc.

Por fim, outra contradição social cada vez mais vital: se os empregos se reduzem, aumentam os índices de desemprego, empobrecimento e miserabilidades social – realidade em que bilhões hoje vivem com menos de 2 dólares por dia. Se, como resposta, os capitais globais e suas transnacionais recuperarem os níveis de crescimento, como fez a China na última década, o aquecimento global nos converterá no mundo da torrefação. Trabalho e aquecimento global serão, portanto, os grandes dilemas do século 21.

* Como atividade complementar os alunos podem assistir ao vídeo “Desemprego” com a banda “Ratos de Porão” (letra a seguir).

Desemprego (Letra: Jão Punk – Banda: Fogo Cruzado)

Desemprego está no ar

Vou desistir de procurar

Nosso futuro está no ar

Não se consegue alcançar

Não, não, não me aceitam

Não, não, não me aceitam

Não, não, não me aceitam

Não, não, não me aceitam

Sem dinheiro no bolso

Com a carteira limpa

Cuidado com a geral

Vagabundo se dá mal

Não, não, não me aceitam

Não, não, não me aceitam

Não, não, não me aceitam

Não, não, não me aceitam

Nossa juventude tende a perder

Não pare seu grito que vai lhe morder

Não, não, não me aceitam

Não, não, não me aceitam

Não, não, não me aceitam

Não, não, não me aceitam

Link:

http://www.vagalume.com.br/ratos-de-porao/desemprego.html#ixzz2CgvkZ0wa

http://www.vagalume.com.br/ratos-de-porao/desemprego.html

 

Bom Dia Amig@s do Mutirão! Tudo bem?

Gostaria de convidar a tod@s para o 1º Simpósio de Cooperação e Solidariedade Internacional da Unesp de Rio Preto. O simpósio tem por objetivo promover o debate de iniciativas que tenham como temática a cooperação e a solidariedade. Fomentar o debate entre a comunidade acadêmica, organismos governamentais e representantes da sociedade civil a respeito da cooperação e solidariedade internacional, especialmente na Unesp. Vcs podem acessar a página oficial do evento em:

http://simposiointer.wix.com/simposio#!home/mainPage

Grande abraço a tod@s, Prof. Fábio Fernandes Villela.

 

Da Vinci Vitruve Luc Viatour.jpg

L’Uomo Vitruviano (Le proporzioni del corpo umano secondo Vitruvio)

Bom Dia Querid@s Alun@s! Tudo bem?

Esta é a última postagem da disciplina Sociologia da Educação 1. A temática gira em torno das questões abordadas no livro “A escola de Leonardo – política e educação nos escritos de Gramsci”. O livro tem como tema a metáfora gramsciana do homem moderno na figura de Leonardo da Vinci. As indagações e  sobre a realidade social e cultural do Renascimento, motivadas por uma carta que, na sua aparente divagação, reflete sobre as raízes da sociedade moderna e as condições sociais e culturais para a formação humana,  abre a senda para a refletir sobre a dimensão política da educação. Gramsci não foi um pedagogo, mas um político que, ao acentuar a dimensão cultural da política, explicitou uma pedagogia da emancipação humana para a construção de uma nova ordem social e política. A noção gramsciana de política amplia a noção implícita nos escritos de Marx e enraíza-se na tradição política moderna, na qual o poder se consolida como relação de domínio do homem sobre o homem e do homem sobre a natureza, cujo mecanismo principal é a força como condicionadora e formadora de comportamentos. Sem esquecer que se trata de uma metáfora que visa a discutir as condições de luta política e cultural em um momento revolucionário, o tema serve de motivo para indagar sobre a necessidade de renovação estrutural da escola pública brasileira e a importância de enfrentar o problema da escola no contexto amplo da educação e da compreensão das contradições da sociedade capitalista, para elaborar novas estratégias de construção de uma nova ordem social e política. A questão para o comentário desse módulo é a seguinte: cite e explique o principal processo de socialização abordado no Módulo 4 da disciplina Sociologia da Educação 1? Bom trabalho e boas férias! Prof. Fábio Fernandes Villela.

PS1. Alguns Processos de Socialização estão nos seguintes textos:

MANACORDA, Mario Alighiero. O homem omnilateral. In:_____. Marx e a pedagogia moderna. Campinas: Alínea, 2007. p. 77-94.

SCHLESENER, Anita Helena. A escola de Leonardo: política e educação nos escritos de Gramsci. Liber Livro: Brasília, 2009.

MACHADO, Ilma Ferreira. Educação solidária e formação omnilateral. In: ZART, Laudemir Luiz. (Org.). Educação e sócio-economia solidária: paradigmas de conhecimento e de sociedade. Cáceres: Unemat Editora, 2004. p. 96-104.

MACHADO, Ilma Ferreira. A criança como sujeito social na educação do campo. Educação Pública, Cuiabá, v. 15, n. 27, p. 109-118, jan./abr. 2006.

PS2. Os vídeos vistos em sala de aula se encontram nos seguintes links do Youtube:

Filósofos & Educação: Gramsci (Vol.4). Produção da TV Escola sobre Filosofia e Educação. Apresentação Antônio Joaquim Severino.

https://www.youtube.com/watch?v=xtDY6x3Bs5o

A Vida de Leonardo da Vinci – Parte 1/2 – Filme Completo

https://www.youtube.com/watch?v=gk1XeiyhXXI

Página do Leonardo Da Vinci no Facebook

http://www.facebook.com/leonardo.page

Da Vinci’s Demons – Trailer (Série de TV)

https://www.youtube.com/watch?v=vgg9nnALFGA

Da Vinci’s Demons (Episódio T01, E01, Dublado completo)

https://www.youtube.com/watch?v=pNmjLpCdmxs

Paideia Escuela Libre

https://www.youtube.com/watch?v=yVkCfclROaI

Sem Terrinha em Movimento – parte 1

http://www.youtube.com/watch?v=DbR48kN5BYk

Escola Nacional Florestan Fernandes – Um Sonho em Construção (MST)

http://www.youtube.com/watch?v=5HfY1jbaifc

PS3. Como atividade complementar os alun@s podem assistir ao filme:

Antonio Gramsci: Os dias do cárcere. (Antonio Gramsci: I giorni del carcere, Itália, 1977, 127 min., branco e preto), direção Lino del Fra. (Legenda em espanhol).

O filme apresenta os anos vividos por Gramsci na prisão de Turi, em Bari, Itália (julho de 1928 a outubro de 1933), período fundamental para a redação dos “Cadernos do Cárcere” e explorando as discordâncias que o prisioneiro do fascismo manifestou em relação à teoria stalinista, aceita pelo próprio partido de Gramsci, o PCI. O filme foi produzido em preto e branco para a televisão italiana e recebeu o Grande Prêmio do Festival Internacional do Filme de Locarno em 1977. Procura reconstruir em detalhe a época e os personagens, valendo-se de bastante maquiagem, leitura de documentos e flash-backs. O ator italiano Riccardo Cucciolla interpreta Gramsci numa tentativa de verossimilhança. O filme flerta com o documentário mas sem conseguir sê-lo por completo. O filme-documentário é falado em italiano e com legendas em espanhol e está disponível no Google Vídeos.

Assista o filme no seguinte link:

http://www.veoh.com/watch/v19351905DZ2BfRjc?h1=Antonio+Gramsci%3A+Los+Tiempos+de+Carcel

 

(Foto: H. Pavam)

Bom Dia Amig@s do Mutirão! Tudo bem?

Gostaria de convidar a tod@s para a palestra com o Prof. Agostinho Brandi sobre seu novo livro: “São José do Rio Preto 1894-1907: O Ciclo dos Intendentes e a Criação da Comarca”. Será dia 10/11/12, as 10h00min. no Auditório da ACIRP do Centro (Rua Silva Jardim, 3099, Centro). O Prof. Agostinho Brandi de 80 anos é educador, pesquisador e historiador. Nascido em Guapiaçu e radicado em Rio Preto desde a infância, lançou esse ano o livro: “São José do Rio Preto 1894-1907: O Ciclo dos Intendentes e a Criação da Comarca” (THS Editora).

O título é uma continuação cronológica de sua obra anterior, “São José do Rio Preto 1852-1894: Roteiro Histórico de Pesquisas”, lançada em 2002, depois de 11 anos de estudos sobre o período distrital da cidade. O leitor tem a possibilidade de entender melhor os acontecimentos da época em que a comarca foi criada, passando pelas primeiras gestões administrativas, os planos urbanísticos e a evolução econômica e cultural. O autor começou a produzir o livro em 2003 e terminou no início deste ano (2012). Muitas informações foram coletadas fora, especialmente em São Paulo e Jaboticabal.

O objetivo segundo o autor do livro é “preencher uma lacuna, oferecendo material para consultas aprofundadas”, explica. Reproduções de manuscritos, documentos oficiais do município, publicações jornalísticas e fotos ajudam a contar a história local, preservando a forma de escrever e outras características do final do século 19 e início do 20. Entre os assuntos abordados em suas pouco mais de 500 páginas, estão as criações do primeiro jornal, “O Porvir”, e da primeira biblioteca. Ainda há espaço para capítulos inéditos, como o dedicado à “Monographia da Villa de São José do Rio Preto”, do engenheiro italiano Ugolino Ugolini.

Embora tenham passado por um processo de restauração, alguns fac-símiles foram bastante danificados pelo tempo e aparecem com pouca definição. Mesmo assim, o autor preferiu usar o acervo a esquecê-lo. “Sem conhecer a história, não é possível sonhar com o futuro”, justifica o rio-pretense Edemir Pinto, diretor-presidente da BM&F Bovespa, na apresentação do livro. Edemir Pinto, que hoje ocupa um dos cargos mais altos da economia brasileira, é ex-aluno e amigo de Brandi, por isso viabilizou o patrocínio direto e exclusivo para a publicação de 750 exemplares. Nos próximos anos, o historiador vai dar sequência ao trabalho, retratando a fatia seguinte da linha do tempo, até os anos 1930, quando chega ao fim a República Velha. “É o meu desejo, mas não tenho prazo para concluí-lo.”

Quem é Agostinho Brandi?

Agostinho Brandi é formado em história pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do “Sagrado Coração de Jesus”, de Bauru, e em estudos sociais pela Faculdade Auxilium de Filosofia Ciências e Letras, de Lins. Mas sua dedicação ao passado não se restringe à formação acadêmica: é uma das principais referências do assunto na cidade. Além de professor , destacou-se como o primeiro diretor do Arquivo Público Municipal e um dos fundadores do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico (IHGG). Ocupa a cadeira número 3 na Academia Rio-pretense de Letras e Cultura.

Informações

Palestra do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico (IHGG)

Entrada franca. Haverá emissão de certificados para os interessados.

Data: 10/11/12, 10h00min.

Local: ACIRP (Rua Silva Jardim, 3099, Centro)

Palestrante: Prof. Agostinho Brandi

Tema: “São José do Rio Preto 1894/1907 – O ciclo dos intendentes e a criação da Comarca”

Texto reelaborado a partir de matéria publicada no Diário da Região.

 

Bom Dia Queridas Alunas! Tudo bem?

A última postagem de Sociologia da Educação 3 diz respeito ao ranking do Brasil no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). Segundo reportagem da Uol de 2010, a cidade de Xangai, na China, que participou pela primeira vez, obteve a melhor pontuação em leitura do exame. O Brasil ficou na 53ª posição. O exame, feito pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), avaliou em 2009 o conhecimento de cerca de 470 mil estudantes em leitura, ciências e matemática de 65 países. Neste ano, a área que teve ênfase na avaliação foi a de leitura. A pergunta para o comentário é a seguinte: por que, apesar de todo o esforço das políticas públicas, PCNs, RCMEIs, ENEM, SAEB, investimentos, etc., o Brasil está na 53ª posição no ranking do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos)?

Saudações, Prof. FFV.

OBS. Para ajudar na reflexão vcs podem acessar os seguintes links:

Campanha “Fechar Escola é Crime”: http://www.cecmundorural.com.br/?p=235

Documentários: “Destino: Educação”

Sinopse do documentário: “Destino: Educação”

Vamos começar com uma pergunta: como fazer para a educação de qualidade chegar a todas as crianças? Para responder, nada melhor do que quem vive o dia-a-dia da educação nos países que são exemplo em educação. Vamos entrar na sala de aula, nos aproximar dos alunos, falar com os professores, ir até a casa dos estudantes para mostrar sua rotina de estudos e conversar com seus pais. Tudo para entender como em cenários tão distintos quanto a Finlândia, a Coréia, o Chile, Xangai, o Canadá e o Brasil a educação chega até quem mais interessa. O aluno. Todo aluno.
Qual a preocupação dos governos com o ensino? O que eles têm feito? E como isso se percebe na realidade e no aprendizado destes alunos? Como valorizar e capacitar o elemento-chave nesse processo, o professor? Como lidar com os sindicatos e a qualidade da educação? Quem são as pessoas que estão por trás dos bons resultados do PISA? A família tem realmente papel decisivo na educação? Por quê? Vale tudo para melhorar a aprendizagem? Qual o limite?

A série “Destino: Educação”:

http://www.futura.org.br/blog/2011/09/28/nova-serie-investiga-desempenho-dos-paises-lideres-em-educacao/

Vídeos:

Geral:
http://www.youtube.com/watch?v=AZu9QFufWaw&feature=related

Brasil:
http://www.youtube.com/watch?v=qhD1V1gqwP8