Bom Dia Car@s Alun@s! Tudo bem?

Gostaria de convidar a tod@s para a Semana de Recepção dos Calouros do Ibilce / Unesp – Rio Preto 2012. Cabe destacar na programação a Aula Aberta sobre “O Vôo de Minerva” (10:00H no Laboratório de Ensino da Pedagogia) e a palestra “Universidade, Educação e Sociedade” (14:30H no Auditório A) com o Prof. Antonio Carlos Mazzeo da Unesp de Marília, dia 23-02, durante as atividades da Semana 2012.

O Prof. Antonio Carlos Mazzeo é livre-docente em Teoria Política pela Faculdade de Filosofia e Ciência da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Marília, onde leciona. Mestre em Sociologia e doutor em História Econômica pela Universidade de São Paulo (USP), fez pós-doutorado em Filosofia Política pela Università di Roma e atualmente preside o Instituto Caio Prado Jr. Publicou, entre outros, os livros Estado e burguesia no Brasil – origens da autocracia burguesa (Cortez, 1997), Sinfonia inacabada – a política dos comunistas no Brasil (Boitempo, 1999), organizou Corações vermelhos – os comunistas brasileiros no século XX (Cortez, 2003) e O vôo de Minerva (Boitempo, 2009).

A Coruja de Minerva 

Alguns podem estar se perguntando: por que a coruja é o símbolo da sabedoria e está sempre atrelada a filosofia? Se pensarmos um pouco na cultura grega, ou mais precisamente na sua mitologia, veremos que a coruja sempre acompanha a deusa Athena. Athena (Αθηνά), Palas Athená ou ainda Minerva para os romanos, é a deusa da sabedoria e da justiça, filha do poderoso Zeus e Métis, deusa da prudência e a primeira esposa de Zeus. As aves são os seres mais próximos dos céus, logo, mais próximos dos deuses. Também é comum ver a soberana águia acompanhando sempre o portentoso Zeus, o mais poderoso dos deuses gregos.

A coruja demonstra uma alerta constante, é símbolo da vigilância, está sempre apta para sobreviver na noite e sempre atenta aos perigos da escuridão. Nas moedas mais antigas da Grécia é muito comum encontrarmos a figura desse animal tão prudente, talvez mostrando com isso que a cultura grega antiga estava sempre vigilante e a frente dos outros povos. Em grego coruja é gláuks “brilhante, cintilante”. Um dos epítetos da deusa Athena é “a de olhos gláucos”, ou seja, a que enxerga além do que todos vêem.

O filósofo alemão Friedrich Hegel em sua obra Filosofia do Direito ilustra muito bem a harmoniosa relação entre a coruja e a filosofia. Escreve ele: “A coruja de Minerva alça seu vôo somente com o início do crepúsculo”. O papel da filosofia é justamente elucidar o que não é claro ao senso comum, é alertar acerca da vida. O crepúsculo é o limiar do dia pra coruja, enquanto cessamos nossas obras e nos recolhemos em nossos lares, a coruja “alça seu vôo” a trabalho. É a noite que a fascina, por isso seu nome em latim: Noctua, “ave da noite”. Não é a beleza o seu destaque, mas é a capacidade de ver o que aves diurnas não conseguem ver. Seu pescoço gira 360º, dando-lhe uma visão completa capacitando-a a ver o todo. É também uma ave de rapina, rápida na escolha, e que por vê a presa e não ser vista, sempre tem sucesso na caça, apanhando os despreparados e desprovidos que se arriscam na noite escura.

São essas as características que um filósofo deve possuir. Enxergar o que outras pessoas não conseguem ver, ter uma visão do todo, ou seja, uma visão que abarque todos os ângulos da realidade. Deve ser capaz de articular os pensamentos contra seus adversários. É preciso raptar as bases dos argumentos dos oponentes. Também, deve-se raptar aqueles que estão se enveredando por caminhos de erros e por enxergarmos na noite quando outros não vêem, podemos ajuda-los e conduzi-los (pelo argumento) a desfechos virtuosos.

Sócrates é um fiel representante dessa relação coruja-filosofia, acusado de “raptar” jovens atenienses – pois enxergava a frente de seu tempo – foi condenado a morte. Diferente de Platão, também não era sua beleza que o projetava, mas sim sua inigualável sabedoria. Sócrates era mestre na argumentação, conduzia as pessoas a “darem a luz suas ideias”, ensinava nas praças e ruas, era um homem livre para expor seus argumentos que por muitas vezes ironizava o oponente. Era de fato uma figura “corujesca”, feia como uma coruja á luz do dia, mas sagaz como na noite. Que logo se levante homens de sabedoria alçando vôo na necessidade, que logo a Coruja de Minerva com seus olhos glaucos enxergue nesses dias de trevas soluções para uma vida voltada ao bem. Essa é uma das diversas correlações entre a coruja e a filosofia. (Texto de Marcos R. Damasio).

Presença obrigatória para tod@s! Saudações, Prof. Fábio Fernandes Villela.